segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Crônicas do TCC - Capítulo 2: A execução

Escrever o projeto do TCC é moleza. Já executá-lo...

Nesse segundo capítulo da série Crônicas do TCC, acompanharemos os primeiros e tortuosos meses de gestação da nossa querida mamãe (o aluno concluinte). Veremos, senhores, que decisões mal tomadas podem levar a caminhos tortuosos, onde a única saída geralmente é o recomeço.
Implementar o que está previsto no projeto não é fácil ou se resolve rápido, tal como comprar pão ou tomar seu desjejum de BACON com ovos. Requer tempo e esforço. Seguindo a máxima de Thomas Edison, "A genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração".

Seguindo os sábios conselhos de seu orientador, a mamãe procurou referências na Internet para realizar a tal da Revisão Bibliográfica. E, claro, começou pelas melhores referências que conhecia:


Apresentou suas fontes ao seu orientador! Ambos riram muito...

O velho e sábio docente orientou-o a retirar a trave dos olhos e procurar em fontes com base CIENTÍFICA. Deu alguns exemplos e nossa querida mamãe saiu triste e desconsolada, pois sabia que nuvens negras rodeavam sua existência. Suas velhas e confiáveis fontes de tecnologia de outrora nada lhe diziam a respeito do que ele precisava desenvolver.

Mas nossa incauta mamãe não queria gastar muito do seu valioso tempo para criar esse trabalho que, no seu entender, "não serviria para nada". A Internet o esperava nos corredores do fêyce e do disqus para brilhar como um dos top comentaristas das comunidades às quais pertencia.

E escolheu o caminho errado...


Pensou... alguém já deve ter feito algo semelhante. E saiu cascaviando a Internet em busca de projetos parecidos com o seu. Não foi fácil: usou duas longas semanas para achar algo que, bem ou mal, se encaixava no que tanto procurava. Lá estava ele: um projeto fantástico hospedado no github.com. Alguns movimentos e o projeto era seu. Uma cópia perfeita! Mas não era bem assim...

O maldito desenvolvedor resolvera fazer tudo em PERL e, Ô, aquilo era complicado... muito complicado...

Começou a tentar entender como faria o "seu" trabalho naquele código cheio de caracteres mágicos, tokens levianos forjaos no mais puro conhecimento de base, cujas aulas havia "virtualmente" faltado para postar e curtir seu comentário de 57 joinhas no seu fórum predileto.

Mais e mais, dia após dia, nossa mamãe se via cada vez mais rodeada por densas camadas de Umbral que envolviam suas mãos ágeis de programador mediano. Módulos malditos, loops infinitos, typedefs macabros, macros sombrias e uma legião de expressões regulares que o mantinham em constante estado de aflição e desespero, onde o único caminho era a derrota...

Então ele chorou. E, das suas lágrimas, brotou o arrependimento sincero e, como mágica, despertou daquele sonho endemoniado e decidiu fazer o seu próprio trabalho.


Ideias vieram-lhe à mente. Caminhos lhe foram mostrados. Todo aquele sofrimento... tudo em vão. Às ferramentas! Preparou sua IDE, com um bom compilador C, suas referências foram atualizadas conforme a sugestão do velho teacher...

Um mês e meio havia sido tomado pelo pesadelo! "Cara, que fiz eu?!", pensou a futura mamãe...

Semanas e mais semanas de árduo esforço e dedicação seguiram-se aos dias de trevas. Criou tudo o que precisava: funções fuderosas, novas equações diferenciais, todas resolvidas com o melhor que a análise numérica poderia oferecer, circuitos transistorisados totalmente controlados por um minúsculo e energeticamente eficiente Raspberry Pi.

Nunca na sua vida se dera conta da quantidade de conhecimento que poderia manter sob seu controle. Puta merda! Aquilo era viciante... E quanto mais aprendia, mais sua fome e sede de saber aflorava. Não conseguia parar! Há meses que não postava um único comentário no seu fórum predileto e, olha... nem se dava conta disso.

O velho teacher parou, prostou-se diante da obra do artista e meditou condescendente...



"CHEGA", disse-lhe o orientador! "BOST..." "BASTA", repetiu. Queremos um TCC, não sua tese de doutorado!

Então a boa mamãe parou e olhou para o que havia feito, assim como um menino avalia sua saúde olhando para a vastidão do vaso sanitário. Quase tudo estava pronto e três longos meses haviam se passado desde então... Havia terminado seu projeto.

Pelo menos era o que ele pensava... Mal sabia o que estava à sua espreita...


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